Alterações do tónus muscular

Alterações do tónus muscular

Quando falamos de tónus muscular estamos a falar da ativação permanente existente nos músculos quando estes estão em atividade ou em repouso.

Esta ativação permanente é um processo totalmente inconsciente, que mantém os músculos em alerta para entrarem em ação.

O tónus muscular depende de uma boa inervação dos músculos, isto é, os recetores sensoriais existentes nos fusos musculares e no interior das articulações recebem o estímulo e transmitem-no através das raízes nervosas posteriores para a parte anterior da medula espinal onde estão os neurónios motores que por sua vez vão estimular os nervos necessários para a manutenção do tónus muscular ideal para a cada postura ou movimento.

As alterações mais frequentes do tónus muscular são a Hipotonia e Hipertonia.

Hipotonia

A hipotonia é uma diminuição da força muscular e leva a uma fraqueza ou flacidez, ou seja, há uma diminuição da resistência ao movimento passivo.

Acontece quando há uma lesão ao nível do sistema nervoso central (cérebro) – mais comum no período neonatal – ou ao nível do sistema nervoso periférico (espinal medula).

Por norma, quando estamos perante um quadro de hipotonia, verificam-se sinais como:

  • pouco ou nenhum controlo dos músculos,
  • corpo muito mole,
  • braços e pernas caídos ao longo do corpo,
  • alterações do equilíbrio e
  • dificuldade na sucção e deglutição.

Nas crianças, o desenvolvimento é mais lento, e aquisições como o gatinhar, o andar e a alimentação serão mais demoradas.

Hipertonia

A hipertonia, contrariamente à hipotonia, caracteriza-se por tensão muscular exagerada ou permanente do músculo em repouso e pode refletir-se numa espasticidade ou numa rigidez muscular.

Nos quadros espáticos verifica-se uma resistência tipo canivete “ponta e mola” e um aumento dos reflexos de contração. Por outro lado, quando estamos perante uma rigidez muscular, a resistência está presente em toda a amplitude do movimento.

Neste caso, o utente tem dificuldade na mobilidade, não por falta de força muscular, mas sim por aumento da contração e resistência que impedem a iniciação bem como a agilidade no decorrer do movimento.

Estas alterações do tónus muscular estão muitas vezes presentes nos recém-nascidos, uma vez que os seus músculos ainda não estão totalmente desenvolvidos. Os bebés quando nascem apresentam uma hipotonia da parte central do corpo e uma ligeira hipertonia dos membros superiores e inferiores.

Contudo estas alterações desaparecem antes dos 18 meses de vida. Quando estas alterações se prolongam ou mantêm ao longo do desenvolvimento estamos perante uma lesão, pelo que é urgente a sua identificação precoce para que se possa estabelecer um plano terapêutico adequado.

Quais as causas das alterações do tónus muscular

Quando há uma falha no circuito de transmissão dos sinais entre os recetores existentes nos músculos e os nervos ao nível do sistema nervoso central ou periférico, por uma lesão muscular ou neurológica, surgem as alterações do tónus muscular que se podem caracterizar por um aumento ou uma diminuição do tónus muscular.

Estas alterações são sempre sintoma de alguma anomalia e estão muitas vezes associadas a doenças genéticas, mas também a alterações neurológicas como paralisias cerebrais, meningites, encefalites, distrofias musculares, entre outros.

Em idades mais avançadas as causas mais comuns são as doenças neuronais motoras, acidentes vasculares cerebrais, traumatismos cranioencefálicos e a esclerose múltipla.

Como se diagnosticam estas alterações

O diagnóstico obtém-se através da observação clínica, mas são necessários diversos exames para definir a causa:

  • biopsias musculares,
  • estudo de condução nervosa,
  • tomografia axial computorizada,
  • ressonância magnética,
  • eletroencefalograma,
  • eletromiografia e
  • estudos genéticos

Como se tratam estas alterações

As alterações do tónus muscular podem ser reguladas através de terapias tais como:

Existem atualmente algumas abordagens inovadoras que se têm demonstrado uma mais valia no tratamento destes casos com apresentação de excelentes resultados na maioria dos utentes intervencionados.

Entre estas abordagens destacamos: