Estratégias facilitadoras para comunicar

Estratégias facilitadoras para comunicar

O isolamento obriga-nos à criatividade e por outro lado dá-nos tempo para sermos ainda mais activos no desenvolvimento dos nossos filhos! Desta forma, iremos passar-vos algumas estratégias facilitadoras para comunicar.

Vamos aproveitar o tempo que temos na sua companhia para, por um lado, usufruir da sua alegria e ingenuidade, e por outro, tornar cada brincadeira uma oportunidade para maximizar o potencial de cada interacção adulto/criança.

Portanto, este artigo tem como objectivo partilhar convosco estratégias utilizadas nas sessões de terapia da fala que, infelizmente tiveram de ser abruptamente interrompidas. Independentemente de estarmos a falar de uma criança com alguma patologia associada que acometa défice cognitivo ou de uma criança com um desenvolvimento neuro típico, por outras palavras, todas as crianças comunicam, precisamos é de lhes dar as devidas oportunidades.

Comunicar

A comunicação humana diferencia-se da comunicação das outras espécies pela sua capacidade de simbolizar, o que quer dizer que, esta comunicação assenta em símbolos linguísticos com significado. Para além disso, estes símbolos linguísticos pertencem a uma estrutura padronizada e a uma sociedade diferenciada. Neste sentido, a aquisição deste sistema de símbolos depende da interação criança/adulto. Portanto, esta comunicação tem de ser efectiva, clara mas, acima de tudo funcional. Para que isso aconteça podemos apoiar-nos em várias estratégias. Neste artigo vamos descrever algumas, que a nosso ver são um bom fio condutor para ajudar a alterar alguns comportamentos, que inconscientemente adoptamos no nosso dia a dia.

Estratégias facilitadoras para comunicar

Imitação

A criança é por natureza um ser que procura o modelo do outro, através dos comportamentos que observa, imita-os e mais tarde generaliza-os, sejam eles correctos ou inadaptados. Por isso, torna-se fundamental que o modelo (adulto) da criança adopte comportamentos correctos e que enriqueçam o comportamento da criança.

“Responsive interaction”

Esta estratégia baseia-se na interacção adulto/criança de forma recíproca. Aqui parte-se da iniciativa da criança respondendo de forma adequada aos seus interesses. Através de pistas verbais que ela nos vai dando, são criadas oportunidades de conversação em díade (grupo de 2 intervenientes).

Feedback corretivo

Só cometendo erros é que a criança tem oportunidade de aprender, neste sentido, o feedback correctivo é como um retorno correctivo. A correcção é essencial e é parte integrante do processo de aprendizagem. Mas, esta correcção tem de ser realizada pelo adulto de forma imediata.

Reforço positivo

Trata-se de um elogio verbal,altamente motivador para a criança e que consiste em prolongar ou motivar um comportamento correcto, de preferência imediato e, desta forma diminuir comportamentos indesejáveis.

“Focused Stimulation”

Esta estratégia pretende atingir uma determinada palavra ou frase, por exemplo e, usá-la várias vezes durante a interacção. Para exemplificar:

A criança utiliza a seguinte frase: “onde minha bola?” mas quer dizer “onde está a minha bola?”

O que pode ser feito, é criar uma história ou actividade lúdica e incentivar o uso do verbo:

“Onde está a minha bola?” “onde é que ela está?” “Ah! Aqui está ela!” “Aqui está a minha bola!”

Modelagem

Esta estratégia de aprendizagem consiste na aprendizagem de um determinado comportamento por influência de outro comportamento, por outras palavras, consiste em dar o modelo a seguir. Serve para orientar melhor a criança nas actividades. Pode ser utilizada sempre que a explicação verbal não é suficiente.

Turn Taking (tomar e dar a vez)

As crianças adquirem linguagem durante as trocas sociais e estas requerem capacidades de iniciação de uma conversa e de resposta à iniciativa dos outros num processo recíproco de trocas comunicativas.

Motivação

Explorar os interesses da criança é uma óptima estratégia! Mas por outro lado e, uma vez que temos mais disponibilidade podemos incentivar a criança a procurar novas brincadeiras e novos interesses, para cima de tudo potencializar a aprendizagem.

Espera estruturada

Diz respeito ao pequeno intervalo de tempo que o adulto deve esperar antes de voltar, por exemplo, a repetir uma pergunta ou ordem. Esta espera aumenta a possibilidade da criança em tomar iniciativa nas situações de comunicação e actividades, tornando-a mais activa.

Discurso calmo e simplificado

Adequar o discurso à idade e características da criança, mantendo um tom de voz suave e calmo, mesmo em situações de stress ? Esta estratégia serve para que haja uma fácil compreensão e consequentemente, uma comunicação eficaz.

Reflexão acerca do próprio erro

Consiste em incentivar a criança a pensar acerca do seu comportamento, no caso de estar errado, corrigi-lo. Serve para que a comece a ter consciencialização do erro, para que desta forma tente corrigi-lo e consequentemente evitá-lo.

Se reflectir, vai chegar à conclusão que utiliza frequentemente algumas destas estratégias! Por isso, adicionar mais algumas à sua já tão eficiente estratégia de interacção com o seu filho, só irá enriquecer a vossa comunicação e consequentemente o seu desenvolvimento!

Resumindo, aproveite as situações naturais que ocorrem em diferentes contextos de comunicação e, por outro lado, crie propositadamente situações estimulantes para a criança. Faça com que participe activamente! Orientada, a criança deve ser colocada perante desafios que estimulem competências relevantes para o seu crescimento.

Dentro de casa é possível, não desespere!

Promova actividades e estratégias que maximizem as oportunidades comunicativas. Siga as nossas dicas de como desenvolver actividades dentro de casa no artigo “Fechados em casa. E agora?”.

Ao realizar as actividades, tente utilizar as estratégias presentes neste artigo e vai ver que tem a receita para uma óptima brincadeira, mas acima de tudo, olhe para o seu filho como uma esponja, que absorve tudo o lhe é colocado à frente, para o bem e para o mal! ?