Dicas úteis para o desfralde em crianças com Autismo

Dicas úteis para o desfralde em crianças com Autismo

“É uma maratona, não uma corrida”

Gary Heffner

Aprender a ir à casa de banho de forma autónoma pode representar um grande desafio para crianças com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA). Por outro lado, cada criança é uma criança com as suas individualidades e diferentes necessidades, tenha ela PEA ou não.

No entanto, na criança com PEA existem algumas situações/problemas relativamente comuns que podem dificultar a utilização da casa de banho.

Conhecer estas situações pode constituir uma ajuda neste passo tão importante na vida da criança.

 

Situações/razões que podem dificultar o processo:

Físicas: a existência de razões físicas ou médicas que explicam as dificuldades sentidas na casa de banho. Como por exemplo:

  • Infecções urinárias;
  • Prisão de ventre;
  • Intolerâncias alimentares.

É importante expor estas questões ao pediatra.

Comunicação/Interação: a dificuldade sentida por estas crianças na compreensão, expressão da linguagem e interação com o outro dificulta o pedido para ir à casa de banho.

Vestir: existência de dificuldade em puxar ou subir as calças o que dificulta a independência nesta tarefa.

Medos: o medo de sentar na sanita ou ouvir o autoclismo estão muitas vezes relacionados com uma hipersensibilidade e reatividade aos sons inesperados e ao desconhecido.

Pistas do corpo: a ausência de consciência da criança de que precisa de ir à casa de banho ou de que as suas roupas estão molhadas ou sujas. Isto acontece normalmente por ineficácia dos sistemas interocetivo e tátil podendo muitas vezes também estar na base da falta de vontade da criança. O seu sistema interno não informa o cérebro das necessidades básicas.

Necessidade de rotina: o facto de muitas vezes as crianças já terem as suas próprias formas de urinar e defecar (normalmente na fralda) e aprender a fazê-lo na casa de banho pode ser uma mudança difícil.

Utilizar diferentes casas de banho: quando a aprendizagem da rotina de ir à casa de banho em casa ou na escola é algo adquirido, mas existe a complexidade de fazê-lo noutros locais, como casas de banho públicas, devido à dificuldade de generalização. O facto de mudar o contexto para muitas destas crianças significa estar perante uma actividade totalmente diferente.

Estamos numa caminhada que apesar de ter alguns obstáculos no caminho pode tornar-se muito divertida! O importante é não desistir!

Dicas úteis:

  • A criança ter mais de 2 anos e meio.
  • Ter as etapas necessárias para o desfralde adquiridas.
  • Escolher o dia, juntamente com a criança, em que vão iniciar o processo.
  • Ter todo o material que precisa. Como por exemplo:
    • Cuecas extra;
    • Cuecas fralda (podem ajudar na transição);
    • Protecção para o colchão;
    • Mudas de roupa;
    • Toalhas;
    • Toalhitas;
    • Pote / redutor de sanita.
  • Introduzir a sanita, o cocó e o chichi como coisas fantásticas e divertidas.
  • Explicar com clareza à criança para que serve a casa de banho, a sanita, o pote e o papel higiénico.
  • Ser exemplo para a criança, levá-la com o pai e com a mãe quando forem fazer as suas necessidades e explicar-lhe como usar.
  • Estabelecer objectivos! Como por exemplo: ir 6 vezes à sanita, contudo, respeitando o ritmo da criança. Primeiramente por uma permanência de 5 segundos, estabelecendo uma ida mais longa para treinar a defecação. Ao longo do tempo aumentar os objectivos e prolongar o tempo. Podemos utilizar um cronómetro, quanto mais visual melhor, para contar o tempo com a criança em jeito de brincadeira.
  • Em vez de pedir, diga em tom entusiasmado que está na hora de ir à casa de banho – Utilizar as mesmas palavras simples, sinais ou imagens a cada ida para ajudar a criança a aprender a linguagem da casa de banho.
  • Criar um calendário de registo com imagens motivacionais para a criança e que representem a casa de banho. Agendar estas ida à casa de banho e torna-las parte da rotina.
  • Fazer da ida à casa de banho uma grande festa e um momento de partilha sem pudores.
  • Celebrar cada pequeno sucesso e todas as tentativas que ele fizer para usar a sanita.
  • Desvalorizar pequenos percalços.
  • Utilizar decorações na casa de banho alusivas às motivações da criança. Como por exemplo:
    • números no chão até à sanita;
    • uma linha de comboios feita com fita cola no caminho para a sanita;
    • letras na parede ao pé da sanita;
    • imagens dos desenhos animados favoritos, música).

Não se esqueça…

Muito importante! Converse com outras pessoas que trabalham com a criança e partilhe o plano de ir à casa de banho para garantir que todos estão a caminhar no mesmo sentido.

Concluindo. Seja Persistente e consistente. Acima de tudo, mantenha-se calmo/a. Vários estudos dizem que são necessárias 3 semanas para adquirir um hábito, mantenha-se persistente em cada objectivo que coloca para a criança nesta etapa.

Divirtam-se nesta caminhada!