Quando os bebés chegam cedo demais… os desafios da prematuridade!

Quando os bebés chegam cedo demais… os desafios da prematuridade!

A pediatria, é uma das áreas da fisioterapia que desperta muitas paixões! É muito importante que intervenha no imediato, de forma a colmatar os desafios da prematuridade, por outras palavras, o fisioterapeuta apresenta-se como um interveniente activo quando os bebés chegam cedo demais!

Quando consideramos o bebé prematuro?

Uma gravidez normal tem como tempo de gestação entre as 37 e as 42 semanas, os popularmente conhecidos “9 meses”. A Organização Mundial de Saúde define como um nascimento pré-termo, quando o nascimento ocorre antes das 37 semanas completas, estando geralmente associado também abaixo peso do bebé.

Atualmente, sabe-se que 1 em cada 10 bebés é prematuro. A sua causa é de natureza multifatorial podendo ser explicado por fatores maternos como por exemplo, o tabagismo, má alimentação e consumo excessivo de cafeína durante a gestação ou a fatores como hipertensão arterial e diabetes, entre outros.

Os desafios da prematuridade!

A imaturidade que acompanha este nascimento precoce refletir-se-á em diferentes domínios, contudo nem sempre será assim – felizmente!

Bebés prematuros podem ter associadas dificuldades cognitivas, motoras e/ou comportamentais. Reconhece-se que o rápido crescimento cerebral acontece entre as 20 e as 32 semanas de gestação. O nascimento pré-termo altera todo este processo. Porque, para além do Sistema Nervoso não estar em perfeita harmonia, os prematuros apresentam pouco tecido adiposo, tónus muscular diminuído e cabeça relativamente maior em relação ao tórax.

É também de prever algumas complicações a nível respiratório decorrentes da imaturidade dos sistemas orgânicos, noutras palavras, os órgãos não tiveram tempo de “aprender a funcionar”. Apesar do cenário parecer pouco favorável, estes sintomas sinalizam a prioridade de tratamento, e muitas vezes, a primeira fase da intervenção dos Fisioterapeutas.

Um bebé prematuro também está mais vulnerável a determinados fatores externos, como a luz e o ruído. Os estímulos intrauterinos, que recebe naturalmente durante a gestação, são interrompidos passando a estar sujeito a uma sobrecarga de estímulos luminosos, auditivos e táteis. Como por exemplo, luzes e sons dos aparelhos, toque dos diferentes profissionais de saúde, toque dos fios de monitorização e das intervenções necessárias, entre outros.

O papel do profissional de saúde

Esta sobrecarga pode comprometer um bom desenvolvimento de todo o sistema sensorial e futuramente um bom desenvolvimento psico-motor. Nos primeiros tempos de vida, é fundamental que diferentes profissionais de saúde como o fisioterapeuta, o terapeuta ocupacional e o terapeuta da fala possam observar cuidadosamente todas as experiências do bebé e actuar activamente nos desafios da prematuridade. Para assim estruturar uma abordagem, que promova o desenvolvimento neuropsicomotor o mais aproximado possível ao desenvolvimento típico.

Estimulação precoce

A estimulação precoce tem como principal objetivo promover nos bebés um desenvolvimento harmonioso, o mais próximo possível do normal, traçando um plano de tratamento adequado a cada pré-termo. Esta abordagem deve ser multidisciplinar e, acima de tudo consideramos a colaboração dos pais fundamental em todo o processo.

A orientação e consequente partilha de estratégias à família e/ou cuidadores é peça chave para o sucesso da intervenção. Vários estudos apontam que esta relação de proximidade e confiança contribui não só para o bem-estar do bebé, mas também, para a sua rápida recuperação.

Em conclusão, no dia a dia, é preciso tirar partido dos múltiplos contextos onde o bebé se envolve, aprofundando e potenciando o seu desenvolvimento. Da neonatologia para casa, os profissionais de saúde são os fiéis companheiros do seu bebé nos primeiros anos de vida. Com eles as consequências que advêm de nascer cedo demais, podem ser ultrapassadas.

«Sou pequenino, mas… tenho em mim todos os sonhos do mundo!»